Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Memórias da minha infância

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"Mãezinha que pena tu ires trabalhar,

Quando eu te peço pra ficar.

Faz já tanto tempo que não sais comigo,

e eu que gosto tanto de brincar.

Passo o dia inteiro a esperar por ti,

cheia de vontade de te ver.

Cheia de vontade de sair contigo,

de saltar e de correr.

Não vás mãmã,

e fica comigo,

que quando não estás,

eu estou só e triste.

Eu não consigo

passar todo o dia

em casa fechada,

sem ter companhia.

Fala comigo

que eu quero-te dizer,

que conto até cem,

que já sei escrever."

Ainda trago na memória esta canção, embora não faça ideia de quem a cantava (nem sei se alguma vez cheguei a saber).

Recordo-me da capa do disco, com a foto de uma menina, com o cabelo preto, curto, muito certinho, e com a cor amarela como fundo.

E é verdade, mãezinha (e paizinho)!!

Que falta me faziam enquanto trabalhavam.

Tantas recordações que trago da minha infância, mas esta música é de facto uma das mais fortes, pois nunca esqueci esta melodia, e o sentimento que me acompanhava enquanto a ouvia. 

Que saudades vossas, e que vontade que as horas passassem a correr, para vos ter de novo junto a mim.

Hoje, que estou do lado inverso, no papel de mãe, penso se será este o sentimento que o meu filho terá dentro dele, quando fica a chorar na escola, e me pergunta na inocência dos seus 2 anos: "A mãe vai tabalhar?", ou quando me atraso no trabalho, e ao telefone ele me diz: "A mãe tá quaje da chegar", na sua linguagem quase perfeita.

Recordo-me de quando me iam buscar à escola, e na alegria de quando chegavam mais cedo.

Dos almoços com o pai no restaurante do "Chico" ou nas "Redes do mar".

De quando estava dentro do autocarro, e esperava pelo minuto que antecedia a sua partida, para sair de repente, e correr para os braços da mãe, pedindo para não ir à escola, e que me deixasse ir pra Lisboa com ela, só para ficar na sua companhia. (e, admito, comer aqueles croissants com chocolate, quentinhos).

Recordo-me de quando o pai me trazia discos quando vinha do trabalho.    

E de quando percorria os corredores do hospital, e do bloco operatório, e recebia das colegas da mãe miminhos hospitalares (tocas, botas, máscaras, e outros adereços) com os quais brincava entusiasmada.

Daqui surgiu um forte gosto pela medicina e tudo o que com ela esteja relacionada. (Não,não me formei em medicina, apesar de tudo. Quando me lembrei disso, já era tarde de mais).

Recordo-me do conjunto de calções e t-shirt, branco, com um debroado a vermelho, e um número no centro, num estilo muito sport., que vesti num dia de fotos na escola primária (devia ter aí uns 8 anos).

Recordo-me do vestido de alças às riscas amarelas, que me compraram na "Patrícia", e que costumava usar com umas sandálias de enfiar no dedo, azuis. (Não estou enganada, pois não?!)

E do dia em que o pai me levou (finalmente) para andar de cavalo, o que não chegou a acontecer por vestir saia-calça (Pai, eu bem disse que devia ter ido de jeans, mas insististe que eu devia mudar de roupa, e levar a saia-calça verde escura, de bombazine - Mas não te preocupes. Estás perdoado).

Recordo-me dos dias inteiros passados na praia, com um graaaande grupo de amigos, em que passava os dias a petiscar, só para poder estar enfiada na água o tempo inteiro.

E das birras do meu irmão, por ter medo da areia. (Ninguém tem medo da areia!!!!)

E não só das birras dele, como também dos sustos pregados, quando de um segundo para o outro desaparecia, para instantes depois aparecer a remar um pequeno barco emprestado por alguém, mesmo sem saber nadar.

Ai, o meu irmão!!

As guerras que tínhamos, normais para a idade, e anormais para quem assistia.

Coisas de irmãos!! Coisas de criança!

Tanta aventura que se vive enquanto criança!

A vida parece esticar e nunca ter fim, o tempo parece infinito, e o mundo parece esta´r à nossa espera, a suplicar para que o exploremos.

Recordo-me de ir à missa com a minha avó paterna, de passar tardes inteiras (e algumas manhãs também), enfiada na biblioteca do parque, a devorar livros, e a aplicar-me nas actividades de trabalhos manuais, para fazer surpresas ao pai e à mãe.

De correr pelos caminhos secretos do parque com a minha prima, de arrancar as bolas verdes do jardim, que atirávamos uma à outra, e ouvir uns raspanetes quando o meu avô descobria o que tínhamos andado a fazer.

De ir pra casa da minha avó materna, e brincar com o Joli, o cão que era maior que eu, e que me defendia (a menina) de todos quantos me levantassem a voz.

Do urso azul que trazia sempre comigo e a quem arranquei os olhos (um trauma de infância, segundo consta, pois fazia o mesmo a todos os bonecos).

Do quintal, onde me pendurava nos muros, apesar de me dizerem um trilião de vezes para não o fazer.

Da minha bisavó com os adesivos a segurar as pálpebras, que lhe caíam sobre os olhos, se assim não fosse.

Da  galinha que matei com uma prima, por decidir dar-lhe banho no tanque com água e lixívia (estava suja, a coitadinha).

Do gato que trouxe dentro do casaco, no autocarro, e que miava sem parar.

Dos meus primeiros patins de bota, azuis e amarelos, trazidos de Londres pelos meus pais, juntamente com uma super bengala de plástico cheia de smarties.

Dos Natais cheios de alegria, em que a família era mais que muita, do lado do pai e do lado da mãe, e dos teatros preparados pelos mais pequenos, para entreter os grandes depois do jantar, enquanto as badaladas da meia-noite não se ouviam soar, para a abertura dos presentes.

Dos enigmas que os meus pais preparavam, para decifrar com o meu irmão depois de chegar a casa, a fim de encontrarmos mais uns quantos presentes escondidos (muitas vezes debaixo das nossas camas, sem que se desse por isso) 

Enfim, são tantas as memórias, que um post não é suficiente para as contar.

Um blog não chegaria para contar todas as aventuras e desventuras dos meus tempos de criança.

No fim de tudo o que importa é que, apesar de não as conseguir escrever todas, trago dentro de mim um sem fim de memórias de infância, que espero poder manter ao longo de toda a minha vida, pois permitem-me (re)viver os momentos passados, que não voltam mais, mas que serão sempre os melhores da minha vida.

A inocência de ser criança.

  

 

Hoje sinto-me ... : Infantil
Ao som de ... : "Mãezinha" (que estou a cantar dentro da minha cabeça)

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